AUTORA MINEIRA LANÇA ROMANTASIA – JULIENE MATTOS
A jornalista e escritora mineira Juliene Mattos lança nesse mês de janeiro a obra Entre Feitiços e Vampiros pela Editora Flyve, um romance de fantasia adulta que une magia, vampiros e dilemas emocionais profundos. Ambientada entre os reinos de Eltherys e Tenebris, a obra vai além do embate entre luz e escuridão e convida o leitor a refletir sobre pertencimento, escolhas e a complexidade da natureza humana.
Em um breve bate-papo com a autora, conhecemos um pouco dos bastidores de uma narrativa que promete provocar emoção e reflexão. Juliene Mattos nos conta um pouco sobre o universo, conflitos e inspirações que dão vida a Entre Feitiços e Vampiros.
Faça um breve resumo da história.
Uma romantasia sombria, sensual e arrebatadora que une destino, magia e a colisão de dois mundos proibidos.
Quando a jovem feiticeira Maya completa vinte anos, seu poder finalmente desperta, um poder ancestral ligado aos quatro elementos, forte o suficiente para alterar o equilíbrio entre reinos que nunca deveriam ter se cruzado. Criada em Eltherys, território onde a natureza respira magia e onde cada árvore guarda a memória dos que vieram antes, ela sempre acreditou que seu destino era proteger o seu povo.
Mas a verdade que sua avó Odessa esconde há anos está prestes a rasgar seu mundo em dois.
Além das florestas vivas e das montanhas que tocam as nuvens existe Tenebris, o reino dos vampiros — criaturas de beleza letal, devoradas pela fome, disciplina e poder. Um território onde a noite nunca se aquieta e onde cada sombra esconde segredos.
É lá que vive Oliver, um rastreador implacável, criado para caçar o inimigo… até sentir o aroma do sangue de Maya pela primeira vez. Um perfume único, ancestral, a marca de uma linhagem que pode destruir ambas as espécies… ou uni-las.
Suas rotas se cruzam no pior momento: enquanto Eltherys enfrenta conspirações internas e Tenebris se prepara para uma guerra inevitável, a magia de Maya e a fome de Oliver começam a se entrelaçar. O que nasce entre eles não deveria existir. É perigoso, proibido… e irresistível.
Entre missões de resgate na fronteira, perseguições silenciosas, revelações sobre o passado e um obelisco perdido que guarda a chave para a ruína — ou salvação — dos dois reinos, Maya e Oliver são forçados a escolher: seguir o dever ou o desejo, proteger seu povo ou seu coração, cumprir o destino ou quebrá-lo para sempre.
Entre Feitiços e Vampiros é uma história para quem ama romances intensos, construção de mundo mágico e personagens que carregam luz e sombra em igual medida.
Um livro que fala sobre pertencimento, escolhas, sacrifício e sobre o tipo de amor que nasce no impossível.
Onde adquirir o seu exemplar?
A pré-venda será no site da editora Flyve ao longo de todo o mês de janeiro.
https://flyve.com.br/1230/entre-feiti-os-e-vampiros
Qual foi a sua inspiração para escrever a obra?
Minha inspiração foram os dilemas e desafios que todos nós encontramos na nossa jornada terrena.
Mais do que uma história sobre magia, vampiros e batalhas ancestrais, Entre Feitiços e Vampiros quer comunicar que ninguém é feito apenas de luz ou apenas de sombras e que é justamente nesse equilíbrio imperfeito que reside a nossa humanidade.
O que a obra pretende passar para o leitor?
A obra busca transmitir ao público reflexões sobre pertencimento e identidade.
A jornada de Maya e Oliver fala sobre sentir-se deslocado, carregar um legado que não foi escolhido e buscar um lugar no mundo quando nenhum espaço parece ser realmente seu. É um espelho para leitores que já se sentiram “fora do lugar”.
Luz e sombras coexistem. A obra rompe com a ideia de bem absoluto e mal absoluto. Vampiros podem desejar coexistência. Feiticeiros podem errar. Heróis falham. Vilões sentem dor. A mensagem é clara: a moralidade é complexa, humana e cheia de nuances.
O poder das escolhas. Destino existe, mas ele não é uma sentença. Cada personagem é confrontado com decisões que doem, custam e transformam. A obra convida o leitor a refletir: até que ponto somos guiados pelo destino e até que ponto escolhemos quem nos tornamos?
Amor como força de ruptura. O romance não surge como refúgio, mas como conflito. Amar o “inimigo” é desafiar sistemas, crenças e guerras antigas. O amor aqui não suaviza ele questiona, desestabiliza e exige coragem. Dor, luto e resiliência. A narrativa não romantiza a perda. Ela a reconhece. Mostra que crescer dói, que amadurecer custa e que seguir em frente nem sempre é bonito, mas é necessário.
Em essência, Entre Feitiços e Vampiros quer que o leitor feche o livro com a sensação de ter sido visto. Que ele perceba que suas contradições não o tornam fraco, mas humano. E que, mesmo em mundos partidos por guerras, a empatia ainda pode ser um ato revolucionário.
Qual o motivo da mudança de estilo, de público?
Durante muito tempo, escrevi para o público infantil e juvenil. Histórias pensadas para acolher, ensinar, encantar e abrir portas para o imaginário em fases da vida em que tudo ainda está sendo descoberto.
Mas a escrita, assim como quem escreve, cresce.
Na vida adulta, aprendemos a viver com pressa. O tempo se fragmenta entre compromissos, responsabilidades e expectativas. Entre uma tarefa e outra, vamos deixando partes de nós pelo caminho: sonhos adiados, silêncios presos na garganta, sentimentos engolidos. Escrever para o público adulto nasce exatamente desse incômodo.
É uma tentativa de criar um respiro no meio da correria, uma pausa consciente. Um convite para desacelerar, ainda que por algumas páginas, e lembrar quem somos quando o mundo está exigindo muito mais do que conseguimos entregar.
A fantasia permanece, porque ela sempre foi minha linguagem. Mas agora ela surge como pano de fundo para questões mais profundas: pertencimento, escolhas, luto, amor, identidade, luz e sombra. Temas que não pedem respostas prontas, apenas presença e reflexão.
Não escrevo apenas para entreter. Escrevo para tocar. Para emocionar. Para provocar perguntas que talvez o leitor nem soubesse que precisava fazer.
Essa mudança não significa abandonar quem fui como autora. Significa honrar tudo o que vivi até aqui e permitir que minhas histórias acompanhem o ritmo do meu próprio amadurecimento.
Hoje, escrevo para adultos porque sei que, mesmo crescidos, ainda precisamos de histórias que nos lembrem da nossa essência. E se a fantasia pode ser esse caminho, então ela continua sendo — mais do que nunca — o meu lugar de fala.

